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O Que é o FASCISMO?


O fascismo é entendido por cientistas políticos e historiadores como a forma radical da expressão do espectro político da direita conservadora. Isso, no entanto, não quer dizer que toda política praticada pela direita conservadora é extremista ou fascista.

O fascismo é um conceito que gera muito debate por sua complexidade, já que é um movimento político que se adapta a diferentes circunstâncias e apropria-se de ideais de diferentes ideologias. De toda forma, o fascismo, enquanto movimento político e social, possui uma retórica populista que explora assuntos como a corrupção endêmica da nação, crises na economia ou “declínio dos valores tradicionais e morais” da sociedade.

Além disso, defende que mudanças radicais no status quo (expressão em latim para referir-se ao “estado atual das coisas”) devem acontecer.

Uma vez que ocupa espaços de poder, o fascismo transforma-se em um regime extremamente autoritário, baseado na exclusão social, portanto, hierárquico e bastante elitista. O termo “fascismo” pode ser usado para referir-se:

1. Ao fascismo surgido na Itália e liderado por Benito Mussolini.

2. À expressão extrema do fascismo sob a ideologia nazista, desenvolvida por Adolf Hitler.

3. Aos regimes que surgiram durante o período entreguerras inspirados ideologicamente no fascismo italiano, como foram os casos do salazarismo em Portugal, do franquismo na Espanha, do movimento Ustasha na Croácia, etc.

Atualmente, utiliza-se o termo “neofascista” como referência a regimes políticos que possuem características semelhantes às dos fascismos tradicionais (italiano, alemão, espanhol, português, etc), mas que possuem certas diferenças ideológicas.

Fascismo é uma ideologia política ultranacionalista e autoritária, caracterizada por poder ditatorial, repressão da oposição por via da força e forte arregimentação da sociedade e da economia.

Embora os partidos e movimentos fascistas apresentem divergências significativas entre si, é possível apontar várias características em comum, entre as quais, nacionalismo extremo, desprezo pela democracia eleitoral e pela liberdade política e econômica, crença numa hierarquia social natural e no domínio das elites. Oposto ao liberalismo, ao marxismo e ao anarquismo, o fascismo posiciona-se na extrema-direita do espectro político tradicional.

O verdadeiro fascismo defende ser necessária a mobilização da sociedade sob um estado totalitário de partido único para preparar a nação para o conflito armado e responder de forma eficaz às dificuldades econômicas.

Acreditam que tal estado deva ser comandado por um líder forte, como um ditador ou governo militarista constituído por membros do partido fascista, capaz de forjar a unidade nacional e manter a ordem e estabilidade sociais.

O fascismo rejeita a afirmação de que a violência é automaticamente negativa por natureza e acredita que a violência, guerra ou imperialismo são meios pelos quais se pode chegar ao rejuvenescimento da nação.

Os fascistas defendem uma economia mista com o principal objetivo de atingir a auto-suficiência econômica do país por meio de políticas econômicas protecionistas e intervencionistas.

O fascismo ganhou destaque na Europa na primeira metade do século XX. Os primeiros movimentos fascistas surgiram na Itália durante a I Guerra Mundial, tendo-se posteriormente expandido para outros países europeus. Os fascistas viam a I Guerra Mundial como uma revolução que tinha trazido alterações massivas na natureza da guerra, da sociedade, do estado e da tecnologia.

O advento da guerra total e da mobilização total da sociedade tinham diluído a distinção entre civis e combatentes, tendo-se desenvolvido uma "cidadania militarista" em que todos os cidadãos estavam envolvidos no esforço militar.

A guerra tinha tido como consequência o nascimento de um estado poderoso, capaz de mobilizar milhões de pessoas para a linha de frente e de organizar a produção econômica e logística para as sustentar, e com autoridade sem precedentes para intervir nas vidas dos cidadãos.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, poucos partidos tem se declarados, abertamente, fascistas. O termo é usado frequentemente de forma pejorativa para descrever opositores políticos. Os partidos contemporâneos de extrema-direita com ideologias semelhantes ou inspirados nos movimentos fascistas do século XX são denominados neofascistas.
    

Etimologia e símbolo: 

O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas em volta de um machado, e que foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes.

Eram carregados por lictores e poderiam ser usados para castigo corporal e pena capital. Mussolini adotou esse símbolo para o seu partido, cujos seguidores passaram a chamar-se fascistas.

O simbolismo dos fasces sugeria "a força pela união": uma única haste é facilmente quebrada, enquanto o feixe é difícil de quebrar. Símbolos semelhantes foram desenvolvidos por diferentes movimentos fascistas. Por exemplo, o símbolo da Falange Espanhola é composto de cinco flechas unidas por uma parelha.

Definições: 

Historiadores, cientistas políticos e outros estudiosos têm debatido por muito tempo a natureza exata do fascismo. Cada forma de fascismo é diferente, deixando muitas definições amplas ou restritas demais.

Um dos aspectos mais consensuais entre os historiadores é o entendimento de que no fascismo um nacionalismo militante ocupa um lugar de primeiro plano. Também é largamente aceita a noção de que o fascismo promove um Estado autoritário, tirânico ou totalitário, um dos seus aspectos mais criticados.

Uma definição comum de fascismo se concentra em três grupos de ideias:

· As negações fascistas de anti-liberalismo, anti-comunismo e anti-conservadorismo.

· Objetivos nacionalistas e autoritários para a criação de uma estrutura econômica regulada para transformar as relações sociais dentro de uma cultura moderna, auto-determinada.

· Uma estética política usando simbolismo romântico, mobilização em massa, visão positiva da violência, promoção da masculinidade e da juventude e liderança carismática.

Roger D. Griffin é um professor britânico de história moderna e teórico político na Oxford Brookes University, Inglaterra. Seu principal interesse é a dinâmica sócio-histórica e ideológica do fascismo, bem como várias formas de fanatismo político ou religioso.

Roger D. Griffin descreve o fascismo como "um gênero de ideologia política cujo núcleo mítico em suas várias permutações é uma forma palingenética de ultranacionalismo populista".

Ele distingue um período entre-guerras quando se manifestou através de "partidos políticos armados" liderados por elites populistas se opondo ao socialismo e ao liberalismo e prometendo uma política radical para salvar o país da decadência.

Robert Paxton vê o fascismo como "uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio da comunidade, humilhação ou vitimização e pelo culto compensatório da unidade, energia e pureza, na qual um partido de massas de militantes nacionalistas comprometidos, trabalhando em inquieta, mas colaborativamente efetiva com as elites tradicionais, abandona as liberdades democráticas e persegue com violência redentora e sem restrições éticas ou legais de limpeza interna e expansão externa".

Para Umberto Eco, o fascismo se baseia no culto a tradição, a rejeição ao modernismo, o culto à ação pela ação, na comparação forçada entre dissidência e traição, o medo da diferença, o apelo a frustração social, a obsessão pelo golpismo, na alta expectativa quanto a força do adversário, na consideração do pacifismo como envolvimento com o inimigo, o desprezo pelo fraco, a educação para o heroísmo, o patriarcalismo bélico, um populismo seletivo e o uso de novilíngua.

Emilio Gentile descreve o fascismo com os seguintes dez elementos constitutivos:

1. um movimento de massa de adesão multiclasse em que prevalecem, entre os líderes e os militantes, os setores médios, em grande parte, novos na atividade política, organizados como uma milícia partidária, que baseiam sua identidade não em hierarquia social ou origem de classe, mas em um sentido de camaradagem, acredita-se investido de uma missão de regeneração nacional, considera-se em estado de guerra contra adversários políticos e visa conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, política parlamentar e acordos com grupos maiores, para criar um novo regime que destrói a democracia parlamentar;

2. uma ideologia "anti-ideológica" e pragmática que se proclama antimaterialista, anti-individualista, antiliberal, antidemocrática, anti-marxista, mas populista e anticapitalista em tendência, se expressando esteticamente mais que, teoricamente, por meio de um novo estilo de política e por mitos, ritos e símbolos, como uma religião leiga projetada para aculturar, socializar e integrar a fé das massas com o objetivo de criar um "Novo Homem";

3. uma cultura fundada no pensamento místico e o no sentido trágico e ativista da vida concebida como a manifestação da vontade de poder, sobre o mito da juventude como artífice da história, e na exaltação da militarização da política como modelo de vida e atividade coletiva;

4. uma concepção totalitária do primado da política, concebida como uma experiência de integração para realizar a fusão do indivíduo e das massas na unidade orgânica e mística da nação como uma comunidade étnica e moral, a adoção de medidas de discriminação e perseguição contra aqueles considerados fora desta comunidade quer como inimigos do regime ou membros de raças consideradas inferiores ou perigosas para a integridade da nação;

5. uma ética civil, fundada em total dedicação à comunidade nacional, sobre a disciplina, a virilidade, a camaradagem e o espírito guerreiro;

6. um Estado de partido único que tem a tarefa de prover a defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de direção e organização das massas no interior do estado, em um processo de mobilização permanente de emoção e da fé;

7. um aparato policial que impede, controla e reprime a dissidência e a oposição, mesmo usando o terror organizado;

8. um sistema político organizado pela hierarquia de funções nomeadas a partir do topo e coroado pela figura de "líder", investido com um carisma sagrado, que comanda, dirige e coordena as atividades do partido e do regime;

9. defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de direção e organização das massas no interior do estado, em um processo de mobilização permanente de emoção e da fé;

10. organização corporativa da economia que suprime a liberdade sindical, amplia a esfera de intervenção do Estado, e visa alcançar, por princípios de tecnocracia e solidariedade, a colaboração dos "setores produtivos" sob o controle do regime, para alcançar seus objetivos de poder, ainda preservando a propriedade privada e as divisões de classe;

11. uma política externa inspirada no mito do poder nacional e grandeza, com o objetivo de expansão imperialista.

Stanley G. Payne descreve o fascismo em três setores de características:

1. Ideologia e objetivos

1. "Adoção de uma filosofia idealista, vitalista e voluntarista, normalmente envolvendo a tentativa de realizar uma nova cultura auto-determinada, secular e moderna"

2. "Criação de um novo Estado autoritário nacionalista não baseado em princípios ou modelos tradicionais"

3. "Organização de uma nova estrutura econômica nacional integrada, altamente regulada, multiclasse; seja chamada de corporativista nacional, nacional-socialista, nacional sindicalista"

4. "Avaliação positiva e uso, ou vontade de usar a violência e a guerra"

5. "O objetivo do império, expansão ou uma mudança radical na relação do país com as outras potências"

1. Negações:

1. "Antiliberalismo"

2. "Anticomunismo"

3. "Anticonservacionismo (embora com o entendimento de que grupos fascistas estavam dispostos a realizar alianças temporárias com outros setores, mais comumente com a direita)"

1. Estilo e organização

1. "Tentativa de mobilização de massas com a militarização das relações políticas e estilo e com o objetivo de uma milícia de massa de partido único"

2. "Ênfase na estrutura estética em encontros, símbolos e liturgia política, enfatizando aspectos emocionais e místicos"

3. "Estresse extremo no princípio masculino e na dominação masculina, enquanto defendendo uma visão fortemente orgânica da sociedade"

4. "Exaltação da juventude acima de outras fases da vida, enfatizando o conflito das gerações, pelo menos, para efetuar a transformação política inicial"

5. "Tendência específica em direção a um estilo autoritário, carismático e pessoal de comando, se o comando for, em certa medida, inicialmente eletivo"

Posição no espectro político:

O fascismo é considerado por alguns estudiosos como de extrema-direita por causa de seu conservadorismo social e meios autoritários de oposição ao igualitarismo.
   

Benito Mussolini em 1919 descreveu o fascismo como um movimento que atingiria "contra o atraso da direita e a destrutividade da esquerda". Mais tarde, os fascistas italianos descreveram o fascismo como uma ideologia de extrema-direita em seu programa político A Doutrina do Fascismo, afirmando: "Somos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século tendendo para a 'direita', um século fascista".

No entanto, Mussolini esclareceu que a posição do fascismo no espectro político não era um problema sério para os fascistas e declarou que:

Fascismo, sentado à direita, também poderia ter sentado na montanha do centro... Estas palavras, de qualquer caso, não tem um significado fixo e imutável: eles têm um assunto variável em localização, tempo e espírito. Nós não damos a mínima para essas terminologias vazias e desprezamos aqueles que são aterrorizados por essas palavras. Benito Mussolin.

A posição de direita política no movimento fascista italiano no início de 1920 levou à criação de facções internas. A "esquerda fascista" incluiu Michele Bianchi, Giuseppe Bottai, Angelo Oliviero Olivetti, Sergio Panunzio e Edmondo Rossoni, que estavam comprometidos com o avanço do sindicalismo nacional como um substituto para o liberalismo parlamentar a fim de modernizar a economia e avançar os interesses dos trabalhadores e do povo.

A "direita fascista" incluiu membros do paramilitar Squadristi e ex-membros da Associazione Nazionalista Italiana (ANI).
Os squadristi queriam estabelecer o fascismo como uma ditadura completa, enquanto os ex-membros da ANI, incluindo Alfredo Rocco, procuravam um estado corporativista autoritário para substituir o Estado liberal na Itália, mantendo as elites existentes. No entanto, após acomodar a direita política, surgiu um grupo de fascistas monarquistas, que procuraram usar o fascismo para criar uma monarquia absoluta sob o rei Vítor Emanuel III da Itália.

Depois que Vítor Emanuel III forçou Mussolini a renunciar como chefe de governo e o colocou na prisão, em 1943, Mussolini foi resgatado por forças alemãs e então passou a depender da Alemanha para ter apoio.

Mussolini e os demais fascistas leais fundaram a República Social Italiana, com Mussolini como chefe de Estado.

Mussolini procurou radicalizar o fascismo italiano, declarando que o Estado fascista havia sido derrubado porque o fascismo italiano tinha sido subvertido pelos conservadores e a burguesia italianos.

Em seguida, o novo governo fascista propôs a criação de conselhos de trabalhadores e participação nos lucros da indústria, no entanto a autoridade alemã que efetivamente controlava o território da República Social (norte da Itália), neste ponto, ignorou estas medidas e não procurou aplicá-las.

Na análise política contemporânea, pode-se caracterizar o fascismo por uma "especificidade perturbadora". Por um lado, trata-se de doutrina claramente antimarxista, antidemocrática e que no regime italiano gerou a perseguição da classe operária. Por outro lado, professou o antiliberalismo com uma retórica revolucionária anticapitalista e antiburguesa. Emilio Gentile, define o fascismo como um sincretismo ideológico.

Características:

Apesar de não haver uma definição universalmente do fascismo, é possível enumerar uma série de características comuns dos movimentos fascistas entre 1922 e 1945:

Oposição violenta a todas as formas de marxismo, a oposição à democracia parlamentar, a oposição ao liberalismo cultural e econômico, as ambições totalitárias, os programas econômicos conservadores ou corporativistas, as ambições imperialistas, o militarismo, a subordinação do indivíduo à vontade da nação, a mobilização em massa da população, a crença num líder forte com poder absoluto, crença num Novo Homem e glorificação da juventude, educação para a obediência inquestionável à autoridade e desencorajamento do pensamento crítico, o uso da violência para repressão política, nacionalismo extremo, o recurso a bodes expiatórios e demonização de grupos sociais.

O fascismo é deliberadamente e inteiramente não-democrático e anti-democrático. Uma das críticas mais comuns e pertinentes do fascismo é a tirania a si inerente. O fascismo promove a implementação de um estado totalitário em oposição à democracia liberal, rejeitando o pluripartidarismo e defende o estado de partido único.

Os estados fascistas promoviam políticas de doutrinação social através de propaganda na educação e na comunicação social, ambas totalmente controladas pelo estado.

A educação era concebida para glorificar o movimento fascista e informar os estudantes da sua importância histórica e política para a nação. Ao mesmo tempo, dissuadia qualquer ideia que não fosse consistente com as crenças do movimento fascista e ensinava aos estudantes a importância da obediência inquestionável ao estado fascista.

Ultranacionalismo:

Um dos fundamentos do fascismo é o ultranacionalismo, geralmente associado a um mito de renascimento nacional.

Os fascistas viam a nação como uma entidade única e orgânica que unia as pessoas em função da sua ancestralidade e que atuava como força unificadora natural. 

O fascismo procurava resolver os problemas econômicos, sociais e políticos por via de um renascimento nacional milenarista, exaltando a nação ou a raça acima de tudo.

A generalidade dos movimentos fascistas europeus tinha uma concepção racista de povos não-europeus, que considerava inferiores. No entanto, as formas de racismo eram diferentes entre os vários movimentos fascistas europeus.
    

Populismo:

A propaganda fascista enaltecia o povo e apelava ao anti-intelectualismo populista, alegando que o cidadão comum seria capaz de julgar temas complexos do âmbito de especialistas. A propaganda Nazi apresentava Hitler como um "homem novo" com origem no povo.

 Proteção ao ricos e desprezo aos pobres:

Ao contrário do populismo de esquerda, o populismo fascista não atribuía as dificuldades dos trabalhadores às grandes empresas ou aos grandes latifundiários nem defendia medidas como impostos progressivos, melhoria de salários, proteção dos sindicatos ou direito à greve. Pelo contrário, o nazismo protegia a riqueza das elites econômicas exceto a dos judeus.

Violência e mobilização de massas:

Um dos fundamentos do fascismo é a ênfase na ação direta, incluindo apoio à legitimidade da violência política.

O fascismo considerava a ação violenta na política uma necessidade, a qual denominava "luta eterna". Esta ênfase no uso de violência política teve como consequência a criação de milícias privadas na maior parte dos movimentos fascistas, como os Sturmabteilung nazista ou os camisas negras da Itália fascista.

A base para o apoio do fascismo à ação violenta está associada ao darwinismo social. Os movimentos fascistas tinham em comum uma visão darwinista das nações, raças e sociedades. Alegavam que as nações e as raças deviam eliminar os indivíduos mais fracos em termos sociais e biológicos e as pessoas que consideravam "degeneradas". Ao mesmo tempo, promoviam um ideal de pessoas fortes capazes de sobreviver num mundo que viam como em perpétuo conflito nacional e racial.

Economia:

Os programas econômicos da grande maioria dos movimentos fascistas eram extremamente conservadores e favoreciam muito mais a elite econômica do que as classes média e operária.

Nos governos liderados por partidos fascistas, a distribuição de riqueza e a estrutura tradicional de classes mantiveram-se praticamente inalteradas e as poucas alterações favoreceram apenas as antigas elites e as lideranças partidárias.

Chegada do Fascismo ao poder:

O fascismo chegou ao poder tirando vantagem na crise política e econômica das décadas de 1920 e 1930, em particular da profunda polarização que existia em países democráticos como o Reino de Itália ou a República de Weimar.

Os parlamentos destes países eram dominados pela oposição entre partidos apoiantes do capitalismo de livre mercado e apoiantes do socialismo marxista, o que tornava difícil a formação de governos estáveis. Os fascistas exploraram esta situação como argumento contra a democracia, que eles viam como fraca e ineficaz.

Os regimes fascistas geralmente ascenderam ao poder em tempos de crise, quando as elites econômicas, latifundiários e empresários temiam que estivesse iminente uma revolução ou revolta popular.

Os fascistas aliaram-se às elites econômicas, prometendo-lhes proteger o seu estatuto social e suprimir qualquer eventual revolução. Como contrapartida, pediam às elites que subordinassem os seus interesses a um ambicioso projeto nacionalista.

Como resultado, as políticas econômicas fascistas geralmente protegiam a desigualdade e os privilégios ao mesmo tempo que defendiam uma ampla intervenção do estado na economia.

"Terceira posição" e capitalismo produtivo:

O fascismo promovia-se como sendo uma terceira posição, alternativa tanto ao socialismo internacional como ao capitalismo de livre mercado. Em vez disso, apoiavam aquilo a que chamavam de capitalismo produtivo.

O conceito de capitalismo produtivo teve origem nas ideias de Henri de Saint Simon, que sublinhavam a necessidade de solidariedade entre classes em vez de luta de classes. A sua concepção de agentes produtivos na economia incluía trabalhadores e patrões produtivos, por oposição à influência da aristocracia e especuladores financeiros improdutivos.

Saint Simon combinava as críticas tradicionalistas de direita da Revolução Francesa com uma posição de esquerda na necessidade de associação ou colaboração entre os agentes produtivos da sociedade.

Enquanto o Marxismo condenava o próprio capitalismo como um sistema de relações de propriedade exploradoras, o fascismo via como abusiva a natureza do controle do crédito e do dinheiro no sistema capitalista contemporâneo.

Ao contrário do Marxismo, o fascismo não via o conflito de classes entre o proletariado e a burguesia como causa do materialismo histórico. Em vez disso, via os trabalhadores e os capitalistas produtivos como fazendo parte do mesmo grupo de indivíduos produtivos e que estavam em conflito com elementos da sociedade que consideravam parasitários ou corruptos, como partidos políticos, capital financeiro e pessoas fracas.

Os líderes fascistas como Mussolini ou Hitler salientavam a necessidade de criar uma nova elite administrativa constituída por engenheiros e capitães da indústria, mas livre da liderança parasitária das indústrias. 

Hitler afirmava que o Partido Nazi apoiava o bodenständigen Kapitalismus ("capitalismo produtivo"), que era baseado no lucro gerado pelo próprio trabalho, ao mesmo tempo que condenava o capitalismo financeiro, cujo lucro era derivado da especulação.

A economia fascista se baseava na propriedade privada e livre iniciativa, estas deviam atuar num contexto de serviço à nação. Os governos fascistas encorajavam a obtenção de lucro e ofereciam diversos benefícios aos privados, exigindo em troca que toda a atividade econômica servisse os interesses da nação.

Um dos principais objetivos da maior parte dos governos fascistas era atingir a auto-suficiência econômica, denominada autarquia.

Direitos laborais:

O fascismo operava a partir de uma visão de Darwinismo social das relações humanas, em que o objetivo era promover indivíduos superiores e erradicar os que considerava fracos. Em termos econômicos, isto significava promover os interesses de empresários bem sucedidos ao mesmo tempo que se destruía sindicatos e outras organizações que promoviam o interesse dos trabalhares.

Os governos fascistas ilegalizaram os movimentos sindicais e substituíram-nos por organizações denominadas "sindicatos nacionais", controlados diretamente pelo governo, o que impedia os trabalhadores de realizar qualquer ação eficaz.

A inscrição nestas organizações era obrigatória e os líderes eram nomeados pelo partido fascista, e não pelos associados. Os fascistas alegavam que estas organizações serviriam para harmonizar os interesses dos trabalhadores e patrões. No entanto, na prática estas organizações serviam apenas os interesses dos grandes empresários, que assim conseguiam pressionar o partido a nomear os líderes que pretendiam.

De forma a manter e aumentar os lucros da indústria, os estados fascistas eliminaram a possibilidade de protestos em massa e determinaram cortes salariais direta ou indiretamente. As greves foram estritamente proibidas e qualquer grupo de trabalhadores que parasse de trabalhar, era condenado à prisão.

O governo fascista italiano posterior à I Guerra Mundial era nitidamente anti-socialista, tendo banido todas as organizações que considerava marxistas e substituído todos os sindicatos por uniões corporativas controladas pelo governo.

Apesar da retórica anti-capitalista, aos grandes industriais era permitido gerir as empresas com um mínimo de interferência do estado, Mussolini reduziu os impostos para os mais ricos, foi decretada a redução salarial, foi abolido o limite de oito horas na jornada de trabalho e permitida a formação de cartéis.

Entre 1928 e 1932 os salários reais na Itália diminuíram para metade. Da mesma forma, embora Hitler alegasse que o Partido Nazi era mais socialista que os rivais conservadores, na realidade opôs-se a qualquer nacionalização e aboliu os sindicatos.

A retórica anti-capitalista aplicava-se apenas aos capitalistas judeus, enquanto aos não-judeus era permitido continuar a gerir as empresas e manter a sua riqueza. Embora o desemprego na Alemanha tenha diminuído durante o período nazi, esta diminuição foi conseguida com recurso ao recrutamento em massa para o exército, salários mais baixos, por mais horas e em piores condições.

Embora muitos trabalhadores que habitualmente votavam na esquerda tenham sido enganados pela propaganda dos partidos fascistas antes de estes subirem ao poder, muitos mantiveram-se leais aos partidos antifascistas tradicionais à esquerda.

Alegada igualdade social:

Na retórica política do fascismo, os problemas econômicos associados à grande disparidade de riqueza entre os ricos e os pobres eram considerados um problema apenas de preconceito social. Em vez de atacar a concentração de riqueza das elites e de promover a redistribuição de riqueza, os fascistas alegavam que estas diferenças eram subjetivas e pouco importantes.

Para o fascismo, o conceito de socialismo consiste em haver convivência e camaradagem entre ricos e pobres, e não na distribuição de riqueza.

Os fascistas rejeitavam o igualitarismo, alegando que preservava os mais fracos, e promoviam ideias e políticas de Darwinismo social. Por princípio, o fascismo rejeitava a noção de assistência social, alegando que "encorajava a preservação dos degenerados e dos mais fracos".

O Partido Nazi condenava não só a assistência social da República de Weimar, mas toda e qualquer filantropia e instituições de caridade, por apoiarem pessoas que eles viam como inferiores e fracas que deveriam ser erradicadas no processo de seleção natural.

No entanto, face ao acentuado desemprego e pobreza gerados pela Grande Depressão, para manter o apoio popular os Nazis viram-se forçados a criar instituições de caridade para ajudar os alemães de raça ariana.

Ao contrário da assistência social universal da República de Weimar e das instituições cristãs, a assistência social dos nazis discriminava explicitamente com base na raça e da adesão ou não aos ideais do partido Nazi.

Os nazis apoiavam apenas aqueles que consideravam racialmente puros, capazes de trabalhar, politicamente confiáveis e capazes de se reproduzir, excluindo os não-arianos e os que consideravam pouco trabalhadores, associais ou geneticamente fracos.

Apesar do apoio a milhões de arianos, as organizações de apoio nazis eram temidas e impopulares por recorrerem a questionamentos e monitorização intrusivos para avaliarem quem era digno de apoio ou não.

Privatizações:

Os governos fascistas estiveram entre os primeiros em tempos modernos a levar a cabo privatizações em grande escala. Em várias ocasiões os governos fascistas italiano e alemão privatizaram empresas públicas. Estas privatizações representam uma inversão das políticas dos governos democráticos que os precederam.

Os governos democráticos tinham nacionalizado uma série de empresas, que os fascistas decidiram privatizar. Ao fazê-lo, estavam a ir contra as principais tendências econômicas do seu tempo, numa época em que a maior parte dos governos ocidentais estavam a aumentar a propriedade pública.

As políticas fascistas de privatização eram motivadas pela necessidade de obter o apoio da elite industrial e aumentar as receitas do governo de forma a equilibrar os orçamentos.

Sexualidade:

O fascismo glorifica a juventude, tanto no sentido físico da idade como no sentido espiritual como associação à virilidade e compromisso com a ação. O fascismo identifica a juventude como o tempo fundamental para o desenvolvimento moral das pessoas que irão afetar a sociedade. O próprio hino político dos fascistas italiano era denominado Giovinezza ("Juventude").

O fascismo italiano procurava aquilo a que denominava a "higiene moral" da juventude, sobretudo no que diz respeito à sexualidade.

A Itália fascista promovia aquilo que considerava comportamento sexual normal na juventude, ao mesmo tempo que denunciava aquilo a que considerava comportamentos sexuais desviantes.

Condenava como comportamentos sexuais desviantes a pornografia, a maior parte das formas de controle de natalidade e métodos contraceptivos (à exceção do preservativo), a homossexualidade e a prostituição. No entanto, a aplicação das leis que proibiam estes comportamentos era errática e em muitos casos as autoridades fechavam os olhos.

A Itália fascista via a promoção da excitação sexual masculina antes a puberdade como a causa da criminalidade entre os jovens do sexo masculino, declarando a homossexualidade uma doença e criando uma campanha para diminuir a prostituição entre mulheres jovens.
  


Os nazistas alegavam que a homossexualidade era degenerada, efeminada, pervertida e que subvertia a masculinidade por não permitir a reprodução. Alegavam que a homossexualidade podia ser curada através de terapia. Os homossexuais assumidos eram internados em campos de concentração nazis.
       
Papel da mulher na sociedade fascista:

Para Mussolini, o principal papel da mulher na sociedade era o da maternidade. De forma a aumentar a taxa de natalidade, o governo italiano oferecia incentivos financeiros às mulheres que criassem famílias numerosas e promulgou políticas destinadas a diminuir o número de mulheres em situação de emprego.

O fascismo italiano consagrava o papel das mulheres como "reprodutoras da nação" e realizava rituais para honrar esse papel na nação italiana. Em 1934, Mussolini declarou que o emprego das mulheres era um dos principais aspectos do problema do desemprego e que, para as mulheres, trabalhar era incompatível com a maternidade e chegou a afirmar que a solução para o desemprego dos homens era o êxodo da mulher da força de trabalho.

O governo da Alemanha Nazi incentivava firmemente a mulher a ficar em casa a cuidar dos filhos e governar a casa. O governo chegou a atribuir uma medalha às mães racialmente puras que tivessem quatro ou mais filhos.

A taxa de desemprego diminuiu substancialmente, principalmente devido à produção de armas e ao facto das mulheres terem sido mandadas para casa de forma a que os homens pudessem ocupar o seu posto de trabalho.

A propaganda Nazi por vezes promovia relações sexuais antes do casamento e extraconjugais, filhos fora do casamento e divórcio, embora em outras vezes se opusesse a tais comportamentos. 

Os nazis despenalizaram o aborto apenas para os casos em que os fetos possuíssem anomalias genéticas ou pertencessem a uma raça não aprovada pelo governo.

Para os alemães arianos, o aborto era estritamente proibido. Para os não-arianos, o aborto era muitas vezes obrigatório.

Fontes: brasilescola/wikipedia.