Conheça os impactos ambientais causados por várias formas de mineração


A mineração é uma atividade econômica e industrial que pode causar danos graves ao ecossistema e que foi responsável por dois dos maiores desastres ambientais que aconteceram na história recente do Brasil, quando as barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, se romperam. A mineração é uma atividade que se refere à pesquisa, exploração, extração e uso dos minérios que estão situados no subsolo. Além disso, este é um setor extremamente lucrativo, pois, os minérios (metálicos e não-metálicos) estão presentes em diversos produtos e recursos utilizados pela população como celulares, aviões, estruturas metálicas e de prédios, moedas, computadores, cosméticos, joias, entre muitos outros.

Os principais impactos ambientais da mineração são: o aumento da turbidez e variação da qualidade da água, alteração do seu pH (a água pode ficar mais ácida), contaminação do solo e da água com metais pesados, redução do oxigênio dissolvido nos ecossistemas aquáticos, assoreamento de rios, poluição do ar, extinção da flora e fauna local.
 

Pelo fato da mineração ser uma atividade exercida em áreas que estão geralmente mais distantes dos centros urbanos, muitas empresas não se preocupam com a questão ambiental porque estão longe dos olhos de grande parte da população. Entretanto, é imprescindível que essa postura seja mudada.

A agenda do setor de mineração deve levar em consideração:

* Soluções para minimizar a quantidade de resíduos gerados e fazer o seu descarte correto;

* Racionar o uso de água;

* Reabilitação de áreas degradadas;

* Diminuição/eliminação do uso de barragens;

* Utilização de softwares para monitorar as imagens das superfícies de barragens a fim de identificar rapidamente possíveis movimentos irregulares;

* Definição e obediência de parâmetros mais rígidos de segurança;

* Criação de protocolos de emergência mais eficientes;

* Adequação do projeto à legislação ambiental vigente.
 

Impactos ambientais

São muitos os impactos ambientais causados pela mineração, atividade econômica e industrial que consiste na pesquisa, exploração, extração e beneficiamento de minérios presentes em depósitos no subsolo.

Apesar de ser considerada sinônimo de desenvolvimento socioeconômico e ser essencial à sociedade — considerando-se que os minérios encontram-se em praticamente todos os bens de consumo —, a atividade mineradora apresenta alto potencial de impactos ambientais. Como é o caso da poluição dos recursos hídricos e do solo, além da perda de biodiversidade tanto em relação à fauna quanto à flora.
 
Principais impactos ambientais gerados pela mineração

De acordo com a Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o impacto ambiental é definido no artigo 1º da Resolução Conama-001 como: “[…] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam o bem-estar e a saúde da população; as atividades socioeconômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais.”


Na mineração, os impactos ambientais podem ser gerados desde o planejamento do projeto, perpassando as etapas de implantação, operação e desativação. Por isso é necessário, antes de qualquer implementação da atividade mineradora, avaliar quais são os possíveis impactos negativos que podem ser causados ao meio ambiente na área a ser explorada.

Principais impactos causados pela mineração:

1) Degradação da paisagem


A mineração mais comum no Brasil é a lavra a céu aberto. A exploração de minério dessa forma requer desmatar uma determinada área e retirar o solo fértil (também chamado pelas mineradoras de solo estéril, pois possui baixo teor de minério). A área é "recortada" em blocos, que conferem à região uma paisagem repleta de "degraus", modificando então toda a paisagem.
 

2) Desmatamento


Para realizar a mineração de lavra a céu aberto, a primeira etapa refere-se à retirada da cobertura vegetal. Diversas áreas são desmatadas, provocando possíveis alterações climáticas e causando prejuízos à fauna e à flora.
 

3)
 Poluição e contaminação dos recursos hídricos

A contaminação dos recursos hídricos pode ocorrer de três maneiras na mineração:

- Por meio do alto consumo de água para beneficiamento do minério;

- Por meio do rebaixamento do lençol freático durante a etapa de extração do minério, diminuindo o fluxo de água dos rios e impactando também a recarga dos aquíferos;

- Possível contaminação das águas por meio de rejeitos com concentração de substâncias tóxicas que são levadas até os recursos hídricos pelo escoamento superficial das águas ou através do solo, o qual, ao contaminar-se, pode também contaminar os recursos hídricos. As minerações de ferro, areia e granito, por exemplo, podem contaminar e poluir as águas pela lama gerada durante o processo de mineração. Essa lama precisa ser contida por barragens.


4) Poluição, contaminação e compactação do solo

Uma das etapas da mineração é a retirada do solo fértil e seu posterior recorte. Ao deixar o solo desnudo, pode haver perda de fertilidade e favorecimento da sua compactação. Ao longo da extração de minérios, os solos podem ser contaminados, como é o caso das minerações de chumbo e zinco, as quais possuem grande concentração de arsênio em seus rejeitos. Algumas áreas acabam tornando-se inutilizadas, visto que algumas substâncias podem permanecer por um longo tempo no solo.
 

5) Poluição sonora e alteração da qualidade do ar

O preparo das áreas para mineração dá-se, muitas vezes, por meio de explosões. Maciços rochosos muito compactados passam pelo processo de desmonte com o auxílio de explosivos, causando então ruídos que perturbam a biodiversidade e muitas vezes espantam animais de suas áreas.


Outro problema é a alteração da qualidade do ar. Durante os processos de construção da infraestrutura necessária, bem como na fase de transporte dos minérios, há emissão de partículas sólidas e poluentes à atmosfera.
 

6) Redução da biodiversidade

O desmatamento, a poluição sonora, bem como a contaminação e poluição dos recursos hídricos e do solo provocam também a perda de biodiversidade. Muitos animais perdem seu habitat e acabam fugindo para outras áreas, bem como há perda de espécies de plantas na região devido à retirada da cobertura vegetal.

7) Redução da disponibilidade de minerais


Em algumas áreas de mineração, há o esgotamento total do recurso mineral extraído, o que as torna inutilizáveis.
 

8) Geração e disposição inadequada de rejeitos


A produção de rejeitos (resíduos que sobram após o beneficiamento do minério valioso) não é um problema desde que esses sejam contidos ou remanejados para recuperação de áreas. Contudo, durante a fase de extração, se não realizada de maneira correta, esses resíduos podem alcançar os recursos hídricos, contaminando-os.
  

Outro problema é o volume dos depósitos de rejeitos contidos por barragens, que, se não fiscalizadas, podem romper e ter esse volume transportado a áreas mais baixas, alcançando cursos d'água e poluindo o meio ambiente. O volume do depósito pode ser também um problema, quando em elevado nível, pois pode ser levado pelas águas das chuvas até outros recursos hídricos.
   
O que são barragens de rejeito?

Basicamente, as barragens de rejeitos são construções formadas por barramentos maciços impermeáveis e com dispositivos de drenagem, destinadas ao depósito de resíduos gerados pelo beneficiamento dos minérios (etapa em que são separados os materiais que possuem valor dos que não serão utilizados).
 

Impactos ambientais causados pela mineração do ferro

No Brasil, a mineração de ferro acontece principalmente nos estados de Minas Gerais (Quadrilátero Central), Pará (Serra do Carajá) e Mato Grosso do Sul (Maciço do Urucum). O Brasil possui grandes reservas de minério de ferro, sendo esse um dos protagonistas na balança comercial do país, especialmente a nível de exportação, e a China seu maior comprador. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil é o segundo maior produtor do minério de ferro do mundo. As reservas alcançam cerca de 29 bilhões de toneladas.

Os principais impactos ambientais associados à mineração de ferro são:

· Poluição atmosférica, devido ao uso de explosivos nas minas que emitem gases poluentes;

· Poluição sonora, devido às explosões;

· Poluição das águas pela lama gerada e que requer construção de barragens para conter os rejeitos e, consequentemente, evitar a contaminação química dos recursos hídricos e do solo.
 

O desmatamento também é um grande problema ambiental, principalmente nas áreas do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Essa região é abrangida pelo bioma Mata Atlântica, e parte dos remanescentes das áreas de Mata Atlântica pertence às mineradoras. Nas áreas de exploração do ferro, a vegetação é removida para dar lugar à lavra a céu aberto, iniciando também outro impacto ambiental, a exposição dos solos, os quais perdem a sua fertilidade e ficam expostos a processos erosivos.

O Ministério do Meio Ambiente também aponta problemas nas áreas de mineração de ferro como a presença de antigas barragens de contenção, que podem romper-se e provocar sérios danos ao local em que se encontram.
 

Impactos ambientais causados pela mineração do ouro

A mineração do ouro, especificamente no Brasil, dá-se, principalmente, nos estados do Pará, Minas Gerais e Mato Grosso. O principal impacto causado por essa atividade está relacionado ao uso do mercúrio no processo de garimpagem, o qual auxilia na concentração do ouro na bateia (utensílio utilizado na mineração que ajuda na busca de minérios).

mercúrio possui alta volatilidade, podendo ser oxidado e metilado. Torna-se, assim, uma substância tóxica, o que afeta tanto o ser humano quanto os animais. O escoamento superficial das águas também pode levar o mercúrio até os recursos hídricos, contaminando-os e colocando em risco a ictiofauna (conjunto de peixes existentes em uma região) e a qualidade da água.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os principais impactos ambientais provocados pela mineração do ouro, além do uso inadequado de mercúrio, são:

- Aumento expressivo da turbidez da água, especialmente em Minas Gerais. Turbidez da água refere-se à dificuldade que um feixe de luz encontra ao atravessar uma quantidade de água, devido à concentração de substâncias nela.

- As áreas de garimpo, especialmente em Minas Gerais, na província aurífera do Quadrilátero Ferrífero, apresentam rejeitos ricos em arsênio. Rejeitos de minérios com concentração de arsênio foram depositados às margens de rios, contaminando os recursos hídricos e o solo.
 

Impactos ambientais causados pela mineração em Minas Gerais

Minas Gerais é um dos estados mais ricos em minérios no Brasil, representando cerca de 67% das reservas minerais do país. Segundo o Departamento Nacional de Produção de Minerais (DNPM), o estado é o maior produtor brasileiro de minérios, representando cerca de 47% da produção.

A intensa atividade mineradora no estado vai de encontro a diversos problemas ambientais. A mineração também provoca contaminação dos cursos d'água na região e degradação do solo. De acordo com o relatório "Mineração e Meio Ambiente no Brasil", elaborado para o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, os principais minérios encontrados em Minas Gerais associados a impactos ambientais são o ferro, o ouro e o calcário.
  

Nos últimos anos, Minas Gerais vivenciou dois grandes impactos sobre o meio ambiente por meio da mineração. No ano de 2015, houve o rompimento da barragem do Fundão, pertencente à mineradora Vale e controlada pela Samarco Mineração, na cidade de Mariana, o que provocou um dos maiores impactos ambientais do país. Em 2019, um novo rompimento de barragem, também da mineradora Vale, deixou a cidade de Brumadinho em Minas Gerais sob lama de rejeitos, causando destruição da cidade, centenas de mortes, perda de biodiversidade, poluição e contaminação dos recursos hídricos e do solo.
 

Impactos ambientais do acidente em Mariana (MG)

No dia 05 de novembro de 2015, a barragem de Fundão da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, rompeu-se, causando uma grande enxurrada de lama. A lama devastou o distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, em Minas Gerais, destruindo casas e ocasionando a morte de 19 pessoas, incluindo moradores e funcionários da própria mineradora. Além das perdas humanas e materiais, a lama que escapou em razão do rompimento das barragens provocou um grave impacto ambiental.

O rompimento da barragem do Fundão liberou o equivalente a 25 mil piscinas olímpicas de resíduos. A mistura, que era composta, segundo a Samarco, por óxido de ferro, água e muita lama, não era tóxica, mas capaz de provocar muitos danos. Inicialmente, pensou-se que a barragem de Santarém também havia sido afetada, no entanto, o que ocorreu foi a passagem dos rejeitos da outra (Fundão) por cima dessa barragem.
 

A liberação da lama provocou a pavimentação de uma grande área. Isso acontece porque a lama seca e forma uma espécie de cimento, onde nada cresce. Vale destacar, no entanto, que, em razão da grande quantidade de resíduos, a secagem completa do material poderá demorar anos. Enquanto isso, nada também poderá ser construído no local. Além disso, o material não contém matéria orgânica, sendo, portanto, infértil.

A enxurrada de lama atingiu o Rio Gualaxo – afluente do rio Carmo, que deságua no Rio Doce, que, por sua vez, segue em direção ao Oceano Atlântico, no Espírito Santo. O impacto mais perceptivo no ambiente aquático foi a morte de milhares de peixes, que sucumbiram em razão da falta de oxigênio na água e da obstrução de suas brânquias. Além da morte de peixes, micro-organismos e outros seres vivos também foram afetados, o que destruiu completamente a cadeia alimentar em alguns ambientes atingidos. Entretanto, não é somente a morte dos organismos vivos que afetou os rios da região, a quantidade de lama liberada provocou assoreamento, desvio de cursos de água e levou até mesmo ao soterramento de nascentes.
  

Além de causar morte no interior dos rios, a lama provocou a morte de toda a vegetação próxima à região. Uma grande quantidade de mata ciliar foi completamente destruída. Os resíduos da mineração também afetaram o solo, causando sua desestruturação química e afetando o pH da terra. Essa alteração no solo dificulta o desenvolvimento de espécies que ali viviam, modificando completamente a vegetação local.

Como a lama afetou o rio Doce e seguiu em direção ao Espírito Santo, também houve impacto ambiental nos ecossistemas marinhos do litoral. Um dos principais impactos observados foi nos fitoplânctons e zooplânctons que vivem flutuando na água e constituem a base da cadeia alimentar.

Além da grande quantidade de pessoas que perderam suas casas e outros bens materiais em Mariana, os sobreviventes enfrentaram dificuldades relativas, principalmente, à falta de água. Isso aconteceu porque grande parte das cidades atingidas dependia dos rios afetados para o abastecimento, que, após o acidente, apresentaram água imprópria para o consumo.
 

Não é apenas a população de Mariana que sofreu com as consequências do desastre, mas, sim, toda a população próxima ao rio Doce. Índios da tribo indígena Krenak, que possuem reserva cortada pelo rio, na época do acidente, relataram estar sem água para consumo, banho e limpeza de seus objetos, por exemplo. Não podemos nos esquecer também de todas as pessoas que retiravam do rio o sustento para as suas famílias.

→ Impactos do acidente de Mariana em números

De acordo com o Governo Federal, o acidente afetou:

→ 663 km de rios e córregos;

→ 1469 hectares de vegetação;

→ 207 das 251 edificações de Bento Rodrigues;

→ 600 famílias, as quais ficaram desabrigadas.
 

Rompimento da barragem em Brumadinho

O rompimento da barragem em Brumadinho liberou uma grande quantidade de rejeitos de mineração e causou a morte de moradores, turistas e funcionários da Vale. O rompimento da barragem da Vale (mineradora multinacional brasileira) em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no início da tarde do dia 25 de janeiro de 2019, causou uma grande avalanche de rejeitos de minério de ferro. A Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão desabou, e a lama atingiu a área administrativa da Vale, bem como a comunidade da Vila Ferteco, deixando um grande rastro de destruição e dezenas de mortes.
 

No momento do acidente, as sirenes de alerta não foram tocadas, o que contribuiu para o grande número de mortes nessa tragédia, uma vez que as pessoas não foram avisadas para adotar os procedimentos de segurança. O alarme provavelmente não tocou em razão da rapidez em que tudo aconteceu.

Rompimento da barragem

De acordo com o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, uma única barragem rompeu-se e causou o transbordamento de outra. A barragem que se rompeu foi construída em 1976, estava inativada e apresentava um volume de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A Vale não confirma se o local estava em obras, mas a empresa possuía licença que autorizava a “reciclagem” de minérios situados nessa barragem. As causas do rompimento ainda não são conhecidas.

  

A Vale emitiu uma nota com esclarecimentos em relação à barragem que se rompeu. A mineradora afirma nessa nota que “a barragem possuía Fator de Segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da Norma Brasileira”. Além disso, apresentava declarações de estabilidade que atestavam a segurança tanto física quanto hidráulica da barragem. A Polícia Federal e a Polícia Civil de Minas abriram investigação sobre o caso para averiguar se de alguma forma os documentos técnicos foram fraudados.

Vale destacar que desastres como esse acendem o alerta da necessidade constante de fiscalização desses locais, além da necessidade de um licenciamento ainda mais rigoroso. O presidente da Vale afirmou que: "Me parece que só tem uma solução: nós temos que ir além de qualquer norma, nacional ou internacional. Nós vamos criar um colchão de segurança bastante superior ao que existe hoje".
 

Número de mortes e desaparecidos

A lama liberada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho destruiu várias casas, além da área administrativa da Vale, que continha vários funcionários, e uma pousada, que havia na data da tragédia 35 pessoas hospedadas. Várias pessoas, portanto, foram afetadas. A tragédia causou a morte de 270 pessoas, A primeira vítima identificada foi a médica Marcelle Porto Cangussu, de 35 anos.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a Força Aérea Brasileira e o Exército atuam no resgate. Militares de Israel também participaram das buscas por quatro dias em Brumadinho. Há ainda uma equipe específica trabalhando no resgate da fauna na região.
 

Impactos ambientais

De acordo com a Vale, a lama proveniente do rompimento da barragem não era tóxica. Todavia, de qualquer forma, esse desastre representa problemas graves ao meio ambiente. A grande quantidade de material liberado passou por uma grande área, desencadeando de forma imediata a morte de várias pessoas e também de outros animais e plantas. É importante frisar que a região atingida é uma área com remanescentes da Mata Atlântica e, portanto, rica em biodiversidade.

De acordo com nota divulgada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) no dia 01 de fevereiro de 2019: "A área total ocupada pelos rejeitos, que parte da Barragem B1 até o encontro com o Rio Paraopeba, foi de 290,14 hectares. Deste total, a área da vegetação impactada representa 147,38 hectares."
  

Além disso, a lama, que contém ferro, sílica e água, atingiu o rio Paraopeba, que é um dos afluentes do rio São Francisco, afetando de maneira negativa a qualidade da água no local. Vale salientar que, apesar da lama não ser considerada tóxica pela Vale, as Secretarias de Estado de Saúde (SES-MG), de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) comunicaram que a água presente no rio apresentava riscos à saúde humana e animal após resultados iniciais de monitoramento.

Além da composição da lama, não podemos nos esquecer de que ela é também responsável por diminuir a quantidade de oxigênio disponível na água, desencadeando a morte da fauna e flora aquáticas. No que diz respeito ao rio São Francisco, a expectativa é de que a lama seja “diluída” antes de chegar ao rio. O solo da região pode também ser afetado em virtude da grande quantidade de lama depositada. Um dos primeiros impactos é a alteração da composição original do solo. Além disso, a lama, ao secar, geralmente, torna a região bastante compacta, prejudicando o desenvolvimento de vegetação.
 

Os impactos ambientais do rompimento da barragem em Brumadinho serão provavelmente inferiores aos impactos do rompimento da barragem em Mariana, que é considerado o maior desastre ambiental do nosso país. A WWF Brasil emitiu uma nota de pesar em relação ao rompimento da barragem em Brumadinho. Essa organização frisou que: “Um desastre dessas proporções pode – e deve – ser evitado por meio de leis ambientais que garantam a segurança das comunidades e da natureza”.
 

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho aconteceu a pouco mais de três anos após a queda da barragem em Mariana. A tragédia em Mariana, que ocorreu em novembro de 2015, deixou 19 mortos, os quais incluíam moradores e funcionários da empresa Samarco, que era também controlada pela Vale. O solo e a água da região foram contaminados. Um dos maiores afetados foi o Rio Doce, que teve a fauna e flora aquáticas destruídas.


A Polícia Federal indiciou 19 pessoas e as empresas Vale e TUV SUD por crimes relacionados ao rompimento da barragem da na mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, que deixou 270 mortos em 25 de janeiro de 2019. Ao todo, 262 vítimas da tragédia foram identificadas e oito seguem desaparecidas. Aos 19 indivíduos indiciados, que trabalhavam para as empresas como consultores, engenheiros, gerentes e diretores, a PF imputa crime de homicídio doloso (dolo eventual) duplamente qualificado pelo emprego de meio que resultou em perigo comum e de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa, por 270 vezes.

Já às companhias, os investigadores atribuem uma série de crimes ambientais, considerando que a Vale era responsável pela barragem e a TUV SUD pela auditoria da estrutura. Segundo a PF, a investigação que culminou nos indiciamentos foi concluída nesta quinta-feira (25-11-2021) e consiste em uma segunda fase da investigação sobre a tragédia. O primeiro inquérito foi concluído em 20 de setembro de 2019, com a apuração de três crimes ligados à elaboração e apresentação de declarações de condição de estabilidade falsas perante a Agência Nacional de Mineração e a Fundação Estadual do Meio Ambiente.

Fontes: ambscience.com/ Istoé/ brasilescola.uol./Por Vanessa dos Santos/ Rafaela Sousa /Vanessa Sardinha/  Nova edição por Boninho Klayver, radialista/apresentador/editor do site JMDC

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