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domingo, 5 de setembro de 2021

Talebã: A sua origem e quem é quem na estrutura do grupo extremista



O Talebã tomou o Afeganistão e derrubou o governo civil do país no domingo, 15 de agosto deste ano. O grupo extremista tomou a capital do Afeganistão, Cabul, e voltou ao poder quase 20 anos depois de ter sido expulso por tropas norte-americanas.

O grupo fundamentalista islâmico que controlou o Afeganistão entre 1996 e 2001 tem um líder supremo, um conselho com 26 membros e um "gabinete de ministros" que supervisiona atividades em diferentes áreas, como militar e econômica.

O grupo é tão organizado que tem também uma representação internacional em Doha, onde foram tratadas as negociações de paz com os Estados Unidos. Apesar disso, os membros do Talebã estão em movimento o tempo todo, sem infraestrutura fixa.

O grupo surgiu nos anos 1990 após a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, nascido dentro de seminários religiosos que pregavam uma forma fundamentalista de islamismo sunita.

Já no fim daquela década, o grupo havia conquistado grande parte do Afeganistão.        No entanto, com a invasão americana em 2001, o Talibã foi tirado do poder.
 Como seus líderes sofreram baixas, foram substituídos até chegar à formação atual.



Líder do Talebã

Em 2016, o ex-chefe do Talebã Akhtar Mohammad Mansour foi morto em um ataque de drone dos Estados Unidos.

Mansour havia assumido a liderança no lugar do fundador e principal líder do Talebã, Mullah Mohammed Omar, em 2013. Omar, por sua vez, havia morrido após problemas de saúde - e o Talebã escondeu sua morte durante dois anos.

Depois que Mansour morreu em 2016, quem assumiu a liderança do grupo foi Mawlawi Hibatullah Akhundzada - e é ele quem está na liderança do Talebã até hoje.

Akhundzada esteve envolvido na resistência islâmica contra a campanha militar soviética no Afeganistão na década de 1980. Quando assumiu, sua reputação era mais a de um líder religioso do que a de um comandante militar. Viveu grande parte de sua vida no Afeganistão

Ele é uma figura importante nos tribunais do Talebã há anos. Acredita-se que tenha emitido decisões apoiando punições islâmicas - como execuções públicas de assassinos e adúlteros condenados e amputações de condenados por roubo.

Chefe político e do escritório em Doha

Apesar de Akhundzada ser líder geral do Talebã, quem mais aparece publicamente é Mullah Abdul Ghani Baradar, um dos fundadores do grupo e seu chefe político.

Depois de ajudar a fundar o Talebã nos anos 1990, Baradar se consolidou como um comandante e estrategista militar. Acreditava-se que ele comandava também as finanças do grupo.

Baradar teve responsabilidades importantes em quase todas as principais guerras no Afeganistão e permaneceu como o principal comandante da formação do Talebã na região oeste do país, em Herat, bem como em Cabul.

Na época em que o Talebã foi derrubado, ele era o vice-ministro da defesa.

Baradar acabou sendo capturado em um ataque conjunto dos EUA e do Paquistão no sul do Paquistão em fevereiro de 2010. Anos depois, autoridades paquistanesas o libertaram dentro de um contexto de esforços dos Estados Unidos para reativar as negociações de paz entre os militantes e o governo afegão.

Quando foi solto, Baradar foi apontado como chefe do escritório diplomático do Talebã em Doha. Esse escritório foi aberto em 2013, para facilitar as conversas de paz com os EUA e o governo afegão a partir da retirada de tropas americanas.

Negociações diretas com os Estados Unidos foram feitas e um acordo de paz foi fechado em 2020. Apesar disso, o Talebã tomou diversas províncias do Afeganistão até derrubar Cabul no domingo (15/8).




Chefe militar

O Talebã também tem um chefe militar - e ele é filho de Mullah Mohammed Omar, fundador e principal líder do Talebã morto em 2013, após problemas de saúde. Seu nome é Mullah Muhammad Yaqoob. Yaqoob foi "promovido" rapidamente dentro do Talebã por ser filho de Omar.


Abaixo dele, há 5 mil unidades militares do Talebã espalhadas pelo Afeganistão, dedicadas ao suprimento ou apoio de logística, treinamento, homens-bomba, armamento e explosivos. Também há delegados que supervisionam as regiões oeste e sul do país e as regiões leste e norte.


Chefe da Rede Haqqani


Ligado ao Talebã, o grupo guerrilheiro Rede Haqqani luta contra as forças americanas, a OTAN e o governo afegão, e é responsável pelos mais violentos ataques dentro do Afeganistão.


Hoje, quem comanda o grupo é Sirajuddin Haqqani, filho do antigo líder, Jalaluddin Haqqani. O Talebã anunciou em 2018 que ele havia morrido após anos doente.


A rede Haqqani é um dos vários grupos militantes que operaram em áreas tribais ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão após a campanha militar americana que derrubou o Talebã em 2001.


O grupo, que supostamente opera em grande parte no Paquistão, é responsável por alguns dos ataques mais letais no Afeganistão, incluindo a explosão de um caminhão-bomba em Cabul em 2017 que matou mais de 150 pessoas.


Conselho e 'gabinete de ministros'


Além de ter líderes em cada área, o Talebã tem também um conselho decisório de líderes, composto por 26 membros. Esse conselho é chamado de Rahbari Shura, também chamado de "Quetta Shura" por causa de uma cidade paquistanesa com esse nome onde os membros supostamente se reuniriam. Islamabad, contudo, nega a existência da Quetta Shura.


Um "espelho" dos ministérios afegãos também existe dentro do Talebã. São comissões para diferentes áreas, como militar, inteligência, política, economia e mais 13 outras.
 

O Talebã


O Talebã é um grupo fundamentalista que surgiu no Afeganistão em 1994, durante a Guerra Civil Afegã. Esse grupo, que defende uma visão radical da lei islâmica, governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, impondo um governo violento e autoritário. Foi derrubado pelas tropas norte-americanas em 2001, mas retornou ao poder 20 anos depois.


O Talebã é um grupo fundamentalista islâmico sunita que surgiu como uma milícia armada durante a Guerra Civil Afegã. Foi fundado oficialmente em 1994, tendo como fundador Mohammed Omar, também conhecido como Mulá Omar. Inicialmente, era formado por estudantes que faziam parte das madrasas, escolas religiosas do Afeganistão.


Essa ligação com estudantes das madrasas acabou dando nome ao grupo, uma vez que “talebã”, na língua pachto, significa “estudantes”.


Os membros do Talebã são extremamente conservadores e possuem uma interpretação radical da Sharia, a lei que rege a conduta de vida dos fiéis muçulmanos.


O Talebã surgiu com o objetivo de implantar essa interpretação radical da Sharia sobre todo o Afeganistão. O contexto de surgimento desse grupo fundamentalista era de guerra e disputa entre grupos que queriam controlar o país. O Talebã surgiu com o apoio do Paquistão, nação vizinha.


Origem do Talebã


A origem do Talebã remonta ao período da Guerra do Afeganistão de 1979. Esse conflito, por sua vez, foi um desdobramento da Revolução de Saur, um golpe realizado pelos socialistas no país em 1978. Por meio desse golpe, o Afeganistão foi convertido em uma nação socialista aliada à União Soviética.


A implantação do socialismo no país foi acompanhada de uma série de reformas, tais como reforma agrária, promoção de igualdade de gêneros, secularização do país etc. Essas reformas começaram a desagradar grupos tradicionais na região, muito ligados à organização tribal da sociedade afegã.


Esses grupos eram conservadores e muitos religiosos. Seu incômodo começou a ganhar força e, então, os Estados Unidos entraram em cena. O governo de Jimmy Carter decidiu financiar o treinamento e o armamento de rebeldes que lutassem contra o governo socialista afegão para enfraquecê-lo.


O objetivo principal era criar uma emboscada para a União Soviética. O governo afegão, sofrendo com as rebeliões que se espalhavam no país, pediu ajuda aos soviéticos. Leonid Brejnev, líder da União Soviética, autorizou a invasão militar do Afeganistão. Assim, as tropas soviéticas foram enviadas para lutar contra os rebeldes afegãos.

Esses rebeldes ficaram conhecidos como mujahidin, termo que referencia algo como “guerreiro santo”. A ideia era que os mujahidin estavam lutando em defesa de sua fé contra os ateus socialistas.

 



O financiamento norte-americano criou uma gama enorme de grupos rebeldes, sendo que muitos deles eram fundamentalistas islâmicos.
Esses grupos fundamentalistas islâmicos lutaram contra os soviéticos durante 10 anos, e, em 1989, conseguiram forçar a retirada soviética.


A partir daí, a luta se deu contra o governo socialista do Afeganistão e se estendeu até 1992, quando o Partido Democrático do Povo Afegão, que dominava o país desde 1978, foi derrotado.


A partir de 1992, a disputa se deu entre os próprios mujahidin, que formaram o Estado Islâmico do Afeganistão. Havia mujahidin com visões progressistas e seculares, enquanto outros deles defendiam posições radicais, fundamentalistas e conservadoras. A nova disputa se travou nesse cenário.


Durante essa guerra, um mujahidin chamado Mohammed Omar, decidiu formar uma nova milícia fundamentalista que defenderia a imposição de uma visão radical da Sharia. Essa milícia era o Talebã e sua fundação aconteceu em 1994.


O Talebã contou com grande apoio e foi crescendo ao longo do conflito. Em 1996, o grupo tomou Cabul e formou um novo governo: o Emirado Islâmico do Afeganistão.

 


Governo do Talebã


O governo do Talebã ficou marcado por todo o tipo de violências e se estendeu de 1996 a 2001. O grupo passou a perseguir opositores e minorias étnicas e religiosas no país, e seu controle se deu em quase todo o território afegão, com exceção de uma porção do norte do país, que ficou sob controle da Aliança do Norte.


Grupos como os xiitas, cristãos e budistas foram perseguidos pelos talebãs, e a perseguição religiosa se dava até no campo dos patrimônios, uma vez que o Talebã autorizou a destruição de diversas estátuas de Buda que existiam no país havia séculos.


Além disso, a população civil passou por todo o tipo de violência sob o comando desse grupo radical. Opositores eram executados em público, assim como pessoas acusadas de não obedecerem à lei islâmica poderiam sofrer com açoitamentos e amputações em público.

  


Ao longo de cinco anos, a comunidade internacional denunciou inúmeras violações dos Direitos Humanos no país.


Nesse período, o governo afegão não tinha reconhecimento da comunidade internacional e apenas três nações reconheciam os talebãs no poder do país: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão. Além de toda a violência, a população afegã sofria com a pobreza do país, destruído após quase 20 anos em guerra.
 



Derrubada do Talebã


O governo do Talebã caiu em 2001, após os Estados Unidos, liderando tropas da Otan, invadirem o país. A invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos foi uma consequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, atentados terroristas organizados pela Al-Qaeda contra o World Trade Center e o Pentágono.


O Talebã colheu as consequências desse atentado porque havia dado abrigo à Al-Qaeda, organização terrorista liderada por Osama bin Laden. Dentro do território afegão havia bases de treinamento para os guerrilheiros da Al-Qaeda.
   



O governo norte-americano pediu que o Talebã cooperasse entregando membros da organização, o que foi recusado pelo Talebã.
Isso levou à invasão do Afeganistão em outubro de 2001, e, em dezembro do mesmo ano, tropas do Talebã fugiram de Cabul.


Com a capital nas mãos das tropas norte-americanas, foi iniciado o processo de reconstrução do Afeganistão. Ao longo de 20 anos, os Estados Unidos continuaram lutando contra as tropas do Talebã. Além disso, os Estados Unidos investiram na reforma do exército afegão e na formação de governos democráticos.


O exército afegão foi formado a um custo de bilhões de dólares, mas os governos afegãos que surgiram mostraram-se corruptos, impopulares e incapazes de estender seu domínio para além de Cabul.

 


Retorno do Talebã ao poder


Ao longo dos 20 anos de ocupação norte-americana, o Talibã não deixou de existir. Apesar de um período de enfraquecimento, seus membros continuaram presentes no interior do Afeganistão e em partes do Paquistão.


Nesse período, o grupo sobreviveu por conta de atividades como mineração, prestação de serviços de segurança, extorsão de civis, cultivo de ópio e venda de heroína.


Em 2019 e 2020, o governo de Donald Trump negociou acordos de paz com o Talebã por conta de uma possível retirada norte-americana, mas o acordo não avançou.


A saída das tropas norte-americanas começou a ser aspirada já no governo de Barack Obama porque a guerra mostrou-se impopular e cara.


Barack Obama e Donald Trump não retiraram as tropas do Afeganistão e esse feito só foi realizado por Joe Biden, presidente que assumiu no começo de 2021. A retirada das tropas aconteceu em agosto de 2021, e isso motivou o início de uma grande campanha militar do Talebã, que avançou sobre todo o território afegão.


Após passar anos escondendo seu poderio, o Talebã retomou o controle do Afeganistão, ocupando inclusive a capital, Cabul. Com isso, o Talebã recuperou o poder do Afeganistão após 20 anos.


A chegada do grupo motivou milhares de pessoas a fugirem do país. Essas pessoas temem que o país passe, novamente, por tudo que aconteceu durante o primeiro governo dos radicais.


O presidente do Afeganistão Ashraf Ghani, e seu vice, Amrullah Saleh, fugiram do país e as forças de segurança afegãs ofereceram pouca resistência, apesar dos recursos disponíveis, enquanto os militantes do Talibã avançavam rapidamente pela região.

   


Essa tomada de Cabul já era um risco apontado por especialistas, que estavam apreensivos com a decisão dos Estados Unidos de retirar suas tropas do Afeganistão depois de duas décadas de ocupação, causando um vácuo de poder, propício para o grupo avançar e derrubar o governo.


Com o Talebã de volta ao poder, a comunidade internacional e a população afegã já demonstram preocupações sobre o retorno de violações de direitos humanos. Milhares de civis tentam fugir da região e os que ficam temem as próximas ações do governo extremista.


Fontes de matéria: mundoeducacao.uol/guiadoestudante.abril/BBCnews