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domingo, 19 de abril de 2020

Endemias, Epidemias e Pandemias que já mataram milhões no mundo



ENDEMIA, EPIDEMIA E PANDEMIA 

Endemia é qualquer doença localizada em um espaço limitado, denominado “faixa endêmica”. Significa que endemia é uma doença que se manifesta apenas numa determinada região, de causa local, não atingindo nem se espalhando para outras comunidades.


No Brasil, existem áreas endêmicas. A título de exemplo, pode ser citada a febre amarela na Amazônia. No período de infestação da doença, as pessoas que viajam para tal região precisam ser vacinadas. A dengue é outro exemplo de endemia, pois são registrados focos da doença em um espaço limitado, ou seja, ela não se espalha por toda uma região, ocorre apenas onde há incidência do mosquito transmissor da doença.

EPIDEMIA:

É uma doença infecciosa e transmissível que ocorre numa comunidade ou região e pode se espalhar rapidamente entre as pessoas de outras regiões, originando um surto epidêmico. Isso poderá ocorrer por causa de um grande desequilíbrio (mutação) do agente transmissor da doença ou pelo surgimento de um novo agente (desconhecido).

Epidemia, referimo-nos ao aumento de casos de uma doença em uma região que excede o número esperado para aquele período do ano. As epidemias podem atingir municípios, estados e até mesmo todo um país.

PANDEMIA:

ocorre quando uma doença espalha-se por uma grande quantidade de regiões no globo, ou seja, ela não está restrita apenas a uma localidade, estando presente em uma grande área geográfica. Nem todas as doenças podem causar uma pandemia, entretanto, algumas podem espalhar-se rapidamente e causar a contaminação de milhares de pessoas. O caso mais recente em nossa história é a pandemia de COVID-19, decretada em 2020.

Pandemia é uma designação usada para referir-se a doença que se espalhou por várias partes do mundo de maneira simultânea, havendo uma transmissão sustentada dela. Isso quer dizer que, em vários países e continentes, essa mesma doença está afetando a população, a qual está infectando-se por meio de outras pessoas que vivem na mesma região.

É importante deixar claro que o termo pandemia não diz respeito à gravidade de uma doença, sendo o fator geográfico determinante para essa classificação.

Pandemias na atualidade:

As pandemias atualmente podem ocorrer com mais facilidade. Isso porque é cada vez mais fácil o deslocamento das pessoas de um local para outro e, consequentemente, haver disseminação de uma doença entre eles.

Muitas vezes, o doente não apresentou sintomas de uma determinada doença e relaciona-se com outras pessoas não se preocupando com a transmissão. A falta de cuidado causa a transmissão da doença e a infecção de um grande número de pessoas. Nesses casos em que não há sintomas, é fácil ir de uma região para outra sem levantar suspeitas das autoridades de saúde.

Quando uma doença espalha-se por várias regiões, torna-se difícil prever o desfecho da história. Uma doença grave, por exemplo, ao atingir uma região pobre, pode causar uma grande devastação em virtude da falta de recursos para conter o avanço da enfermidade.

Além disso, dependendo da gravidade da doença e do número de casos, o sistema de saúde de um país pode não estar preparado para garantir o tratamento de todos. Na pandemia de COVID-19, por exemplo, observou-se um grande número de mortes na Itália em decorrência, entre outros fatores, do colapso do sistema de saúde.

Nesse caso, o número de leitos em UTI rapidamente foram ocupados, e a falta de equipamentos de proteção individual para os médicos agravou ainda mais o quadro.

A pandemia mais recente, a COVID-19, foi declarada pela Organização Mundial da Sáude (OMS) em 11 de março de 2020. Essa doença é causada por um novo tipo de coronavírus, o SARS-CoV-2, o qual desencadeia sintomas respiratórios.

Os principais sintomas dela são: febre, tosse e dificuldade respiratória. A doença pode levar à morte, sendo especialmente preocupante ao atingir idosos e pessoas com problemas de saúde, como problemas cardíacos e diabetes.

Os coronavírus são uma família de vírus, conhecida há muito tempo, responsável por desencadear desde resfriados comuns a síndromes respiratórias graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

Vale salientar que os coronavírus são vírus zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos entre o ser humano e outros animais. Porém, isso não ocorre com todos os coronavírus, sendo conhecidos alguns tipos que circulam apenas entre os animais.

A transmissão da COVID-19 ocorre de uma pessoa para outra por meio do contato com gotículas respiratórias. Assim sendo, uma das medidas para se prevenir é evitar locais com aglomerações de pessoas.

O que é a COVID-19?

A COVID-19 é uma doença causada por um vírus da família do coronavírus, o SARS-Cov-2. Esse vírus, assim como outros dessa mesma família, é capaz de provocar infecções que afetam o sistema respiratório. Desse modo, ela pode facilmente ser confundida com uma gripe ou resfriado.

Os primeiros casos da doença ficaram conhecidos no final de 2019, quando a Organização Mundial da Saúde foi comunicada a respeito de vários casos de pneumonia, sem causa definida, ocorrendo na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China. No dia 7 de janeiro de 2020, as autoridades identificaram o agente causador da doença.

Rapidamente a COVID-19 espalhou-se por vários locais do planeta, levando a Organização Mundial de Saúde a classificar a doença como uma pandemia.

Quais os sintomas da COVID-19?

Como a COVID-19 é uma doença que afeta o sistema respiratório, seus sintomas estão, principalmente, relacionados a esse sistema, o que a torna semelhante, muitas vezes, a uma gripe ou resfriado. Até o momento, os principais sintomas conhecidos são febre, tosse e dificuldade para respirar. Mas outros sintomas podem ser observados, como dores, corrimento e congestão nasais, dor de garganta e diarreia.

Vale salientar que algumas pessoas podem ser assintomáticas, ou seja, estarem infectadas, mas não desenvolverem sintomas. Outras, no entanto, podem ter a doença de maneira grave. Essa última situação ocorre, principalmente, em pessoas idosas e naquelas que possuem outros problemas de saúde, como hipertensão, problemas cardíacos e diabetes.

Como é a transmissão da COVID-19?

A COVID-19 pode ser transmitida de uma pessoa para outra por meio de gotículas respiratórias eliminadas pelo doente ao espirrar ou tossir. Essas gotículas podem também contaminar superfícies, assim, uma pessoa pode adquirir a infecção ao tocar nessas superfícies contaminadas, pois pode transferir o vírus para os olhos, nariz ou boca. É por isso que devemos manter uma distância de pelo menos 1 metro de pessoas doentes e não tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos sem receber a devida higienização.

Não se sabe ao certo, quanto tempo o vírus sobrevive em uma superfície, mas o SARS-Cov-2 parece se comportar como outros coronavírus. Isso significa que ele pode permanecer vários dias sobre superfícies, sendo esse tempo variável a depender das características do ambiente e da superfície em que ele se encontra.

Como é feito o diagnóstico da COVID-19?

O diagnóstico da COVID-19 é feito por meio de coleta de material respiratório. Posteriormente o material é levado a laboratórios que realizarão exames de biologia molecular para detectar o RNA do vírus.

Como é o tratamento da COVID-19?

A COVID- 19, até o momento, não apresenta tratamento específico, assim como a maioria das doenças virais. A recomendação é o repouso e hidratação. Os sintomas, como febre e dor, são tratados com uso de medicamentos antitérmicos e analgésicos.

Como podemos nos prevenir e evitar a transmissão da COVID-19?

A COVID-19 é uma doença grave e potencialmente fatal, sendo assim, é fundamental prevenir-se da doença e evitar a transmissão para outras pessoas. Veja a seguir algumas dicas importantes para garantir a prevenção e controle da COVID-19:

· Lave as mãos frequentemente com água e sabão ou faça higienização utilizando álcool em gel 70%;

· Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos sem a devida higienização;

· Mantenha distância de pelo menos 1 metro de outra pessoa que esteja com sintomas de gripe, ou seja, tossindo ou espirrando;

· Limpe objetos que são utilizados com frequência, como celulares;

· Ao tossir ou espirrar, utilize lenço para cobrir o nariz e a boca ou utilize a parte interna do cotovelo;

· Se não estiver se sentindo bem, permaneça em casa e, em caso de febre, tosse e dificuldade para respirar, procure um médico;

· O uso de máscara é recomendado para profissionais da saúde e pessoas com sintomas de doenças respiratórias, no entanto, recentemente, vários países passaram a determinar que seja necessário para todos os indivíduos.

Fonte de informação: Vanessa Sardinha dos Santo/ Professora de Biologia

Além da COVID-19, outra pandemia recente foi a gripe H1N1. Essa pandemia, que ocorreu em 2009, levou várias pessoas à morte em virtude do avanço relativamente rápido do vírus da gripe A (H1N1) pdm09.

De acordo com a OMS, em apenas oito semanas, o vírus da gripe H1N1 alcançou cerca de 120 territórios. No Brasil, a pandemia, que se finalizou em 2010, levou duas mil pessoas à morte. Vale destacar que, atualmente, existe vacina contra a gripe H1N1, liberada gratuitamente para alguns grupos, como idosos e pessoas com doenças crônicas.

Outro caso é a pandemia de AIDS, uma doença sexualmente transmissível que infectou e infecta milhões de pessoas em todo o planeta. Essa doença, que também pode ser transmitida via transfusões com sangue contaminado e compartilhamento de objetos perfurocortantes com o doente, afeta o sistema imunológico, deixando o indivíduo mais propenso a infecções. São essas infecções que levam o paciente à morte, e não propriamente a AIDS.

Não podemos esquecer-nos também de um dos casos mais graves da história: a pandemia de Gripe Espanhola, que ocorreu entre 1918 e 1920. Estima-se que essa doença infectou cerca de 600 milhões de pessoas e causou a morte de 50 a 100 milhões de pessoas.

A gripe espanhola foi o nome que recebeu uma pandemia de vírus influenza que se espalhou pelo mundo entre 1918 e 1919. Os historiadores e especialistas da área da saúde até hoje não sabem o local exato onde esse novo tipo de gripe surgiu. O surto aproveitou-se da Primeira Guerra Mundial e espalhou-se rapidamente pelo mundo, causando a morte de cerca de 50 milhões de pessoas, embora algumas estatísticas falem em até 100 milhões de mortos.

A doença chegou ao Brasil por volta de setembro de 1918 e espalhou-se por grandes centros, sobretudo por Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. A cidade de São Paulo, por exemplo, pode ter contado com até 350 mil pessoas infectadas. Personalidades importantes da época foram atingidas, como Rodrigues Alves, eleito presidente da República em 1918, mas que não assumiu porque faleceu.

Gripe Espanhola, origem do nome:

Os historiadores sabem que a gripe espanhola não surgiu na Espanha, mas recebeu esse nome em razão da forte divulgação do problema na imprensa espanhola.

Na época em que a doença se espalhou, o mundo passava pela Primeira Guerra Mundial, e as grandes potências ocidentais estavam envolvidas no conflito havia anos. Por essa razão, a imprensa desses países sofria forte censura – isso porque divulgar as notícias de que a gripe tinha afetado suas tropas poderia ser muito ruim para os soldados e poderia espalhar pânico na população. Assim, esses locais passaram a censurar as notícias relacionadas com a doença.

Como a Espanha não estava envolvida com a guerra, não havia necessidade de censurar a imprensa e, assim, as notícias sobre a enfermidade espalharam-se a partir do que a imprensa espanhola noticiava. Foi por essa razão que a pandemia recebeu o nome de gripe espanhola.

Onde surgiu a gripe espanhola?

Infelizmente, os historiadores e os cientistas não possuem informações suficientes que lhes permitam apontar o local exato do surgimento dessa doença. Ainda assim, existem algumas teorias a respeito dos prováveis locais nos quais a gripe espanhola possa ter surgido: Estados Unidos, China e Reino Unido.

A teoria mais aceita pelos estudiosos do assunto é de que a gripe espanhola teria surgido em campos de treinamento militar nos Estados Unidos. Isso porque os primeiros casos da doença também foram registrados lá. Esses casos aconteceram em trabalhadores de uma fábrica em Detroit e em soldados instalados em um campo militar no estado do Kansas.

Proliferação da doença:

Outro elemento que reforça que a gripe espanhola surgiu nos Estados Unidos é que ela se difundiu pela Europa logo depois que soldados norte-americanos foram enviados para a frente de guerra nesse continente. Assim, o contato de soldados contaminados com pessoas nos mais variados locais permitiu o alastramento da doença pelo continente europeu, principalmente nas frentes de guerra.

A pesquisadora Christiane Maria Cruz de Sousa afirma que a gripe espanhola se espalhou em três ondas de contágio, entre março de 1918 e maio de 1919. Entre essas ondas, a segunda, iniciada em agosto de 1918, foi a pior delas, pois foi a mais contagiosa, causando a morte de milhões de pessoas.

Em abril de 1918, as tropas britânicas e francesas registravam os primeiros contaminados pela gripe espanhola e, nos meses seguintes, uma série de países europeus apresentou seus primeiros casos da doença: Grécia, Espanha, Dinamarca... Na segunda onda da doença, que aconteceu entre agosto e dezembro de 1918, Ásia, África, América Central e do Sul foram afetados.

A segunda onda de difusão da gripe espanhola tornou a situação alarmante em diversas partes do planeta porque a quantidade de infectados disparou e os sintomas registrados tornaram-se muito graves, o que contribuiu para que a taxa de mortalidade aumentasse bastante. Aqueles que ficavam doentes apresentavam febre, dor no corpo, coriza, tosse, entre outros sintomas.

Nos casos mais graves, os pacientes apresentavam graves problemas respiratórios, dificuldade para respirar e, até mesmo, problemas digestivos e cardiovasculares. Foram registradas também pessoas que se recuperaram da doença, mas contraíram de novo com sintomas agravados.

Os médicos procuravam tratar os pacientes da forma que fosse possível, mas o conhecimento médico na época ainda era muito limitado.

Os médicos e cientistas do período não sabiam o que causava a doença, pois os microscópios não tinham capacidade de enxergar o vírus causador da gripe espanhola. Os microscópios conseguiam observar apenas bactérias, micro-organismos maiores que um vírus.

Alguns locais não tomaram as medidas de prevenção necessárias para combater a gripe espanhola e o resultado foi catastrófico. Um caso muito conhecido é Filadélfia, cidade na costa leste dos Estados Unidos que se recusou a seguir as indicações dos especialistas de evitar aglomerações. Nessa cidade, em setembro de 1918, um desfile dos soldados que estavam sendo enviados para a Primeira Guerra Mundial foi realizado e mobilizou cerca de 200 mil pessoas nas ruas.

O resultado foi a disseminação da doença de maneira violenta e a morte de cerca de 16 mil pessoas em um período de aproximadamente seis meses.

Em mais de um ano de pandemia, estima-se que a gripe espanhola tenha causado a morte de cerca de 50 milhões de pessoas. Algumas estimativas mais alarmistas apontam que esse número possa ter chegado até o total de 100 milhões de mortos. Acredita-se que 1/3 da população mundial tenha sido afetada.

A Gripe Espanhola no Brasil:

Os historiadores acreditam que a gripe espanhola tenha chegado ao Brasil em setembro de 1918, portanto durante a segunda onda da doença. A princípio, a imprensa brasileira não deu muita importância para o surto, mas à medida que a doença foi se espalhando, os desdobramentos do problema ganharam repercussão.

Fala-se que a gripe espanhola chegou ao Brasil por meio do Demerara, um navio que saiu da Inglaterra, passou por Lisboa e atracou em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. O navio chegou ao Brasil em setembro de 1918 e, nesse mês, a imprensa de Salvador, por exemplo, reportou centenas de pessoas doentes.

Logo a doença se espalhou pelo país, pois não havia medicamentos que a combatessem. A difusão foi rápida e afetou, sobretudo, as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Apesar de essas terem sido as duas cidades mais afetadas, todo o país foi atingido, inclusive regiões remotas, como a Amazônia.

Como não existia nenhuma forma de curar a doença – os médicos passavam alguns medicamentos para amenizar os sintomas e esperavam o corpo do paciente reagir –, as recomendações das autoridades eram no sentido de que as pessoas evitassem aglomerações, lavassem suas mãos com frequência e evitassem contato físico.

A gripe espanhola impactou severamente a rotina das pessoas no Brasil e causou milhares de mortes. Existem dados que apontam que a cidade de São Paulo possa ter tido cerca de 350 mil casos, o que representava mais da metade da população da capital paulista, e um total de 5.331 mortos. Já o Rio de Janeiro – na época capital do Brasil – registrou cerca de 12.700 mortes, o que representou 1/3 do total de mortes no país.

A quantidade alarmante de casos de gripe espanhola no Brasil fez com que o sistema de saúde brasileiro, que não era público, não suportasse a quantidade de pessoas doentes. Faltavam leitos e médicos para atender a quantidade de pessoas doentes, sendo necessário improvisar leitos e hospitais para o atendimento das pessoas. Para evitar que a doença se alastrasse mais ainda, a ordem das autoridades foi a de determinar o fechamento de bares, fábricas, escolas, teatros etc.

Todo tipo de aglomeração pública foi evitado pelas autoridades, que foram aconselhadas pelos principais especialistas que o Brasil possuía na época. A quantidade de mortos em pouco tempo também extrapolou a capacidade de enterros que os cemitérios locais poderiam realizar.


Não havia caixões suficientes e os coveiros trabalhavam freneticamente. Até afastamento do trabalho foi ordenado para se evitar a disseminação da gripe espanhola, mas isso era um luxo que pouquíssimas pessoas possuíam no Brasil do começo do século XX.

No Rio de Janeiro, o Congresso e o Senado foram fechados e, em Salvador, a imprensa local repercutia a difusão da doença por toda a cidade. Isso resultou na interdição de alguns serviços públicos, assim como na proibição da realização de eventos públicos, inclusive festividades e cultos religiosos.

A gripe espanhola no Brasil afetou até mesmo Rodrigues Alves, vencedor da eleição presidencial em 1918. Doente, ele não pôde tomar posse em novembro de 1918 e acabou falecendo em janeiro de 1919. Estima-se que, ao todo, a gripe espanhola tenha causado a morte de 35 mil pessoas aqui no Brasil.

Fonte de informação: Brasilescola/Daniel Neves Silva/Professor de História

A peste negra é como ficou conhecida a peste bubônica, doença causada pela bactéria Yersinia pestis, que atingiu o continente europeu em meados do século XIV. Os historiadores acreditam que a doença surgiu em algum lugar da Ásia Central e foi levada por genoveses para o continente europeu.

O resultado foi catastrófico, pois a doença atingiu praticamente todo o continente e resultou na morte de milhões de pessoas. As estimativas mais tradicionais falam que cerca de 1/3 da população europeia morreu por causa da crise de peste negra, mas algumas estatísticas sugerem que a quantidade de mortos possa ter ultrapassado a metade da população europeia.

Onde surgiu a peste negra=peste bubônica?

A peste bubônica é uma doença causada pelo Yersinia pestis, uma bactéria que é encontrada em pulgas que ficam em ratos contaminados. Quando as pulgas contaminadas têm contato com seres humanos, a transmissão da doença acontece. A partir daí, a peste pode ser transmitida de humano para humano pelas secreções do corpo ou pela via respiratória.

Os historiadores acreditam que a peste negra surgiu na Ásia Central. Existem inúmeras teorias sobre o lugar específico onde a doença surgiu, mas a mais aceita sugere que o lugar de origem é a China e que, durante muito tempo, a peste tenha atuado exclusivamente na Ásia Central. A partir do século XIV, ela se espalhou por terra e por mar pelo Oriente.

Regiões como a Mongólia, parte da China, Síria, Mesopotâmia e Egito teriam sido atingidas no começo do século XIV, causando a morte de cerca de 24 milhões de pessoas nesses locais.

A doença teve contato com os europeus por meio de um conflito que aconteceu em Caffa, colônia genovesa localizada na Crimeia.

Em 1343, Caffa foi sitiada por tropas tártaras do Canato da Horda Dourada. O conflito seguiu com interrupções até que, em 1346, as tropas tártaras foram dizimadas por um surto de peste negra. Os tártaros decidiram utilizar a doença como arma e lançaram cadáveres contaminados para dentro da cidade.

O resultado foi imediato e a cidade de Caffa também começou a sucumbir perante o surto de peste. Fugindo da doença, genovenses começaram a abandonar Caffa, retornando para a Península Itálica. Nesse retorno, os genoveses levaram a enfermidade para locais como Constantinopla, Gênova e Marselha, o que resultou na disseminação por todo o continente europeu.

Difusão da peste negra pela Europa:

A partir dos portos no litoral mediterrâneo, a peste negra difundiu-se pela Europa. Em 1347, a doença chegou à Sicília, ilha ao sul da Península Itálica; em 1348, chegou a Marselha, sul da França; em 1349, alcançou Gênova e o norte da Itália e, partir daí, espalhou-se por toda a Europa.

A difusão dessa doença levou morte por todo o continente europeu, uma vez que ninguém sabia o que a causava. Isso naturalmente fez surgir todo tipo de especulação a respeito das causas da peste. Alguns falavam que era um castigo divino, por exemplo; outros acusavam os judeus de serem os responsáveis.

Os europeus identificaram que a doença era altamente contagiosa. Uma das formas de contágio é a respiratória, assim, uma pessoa infectada poderia facilmente transmitir a doença para outras. A peste negra atuava de maneira fulminante, e a pessoa que a contraía falecia em questão de dias.

A peste transmitida pela via respiratória é conhecida como peste pneumônica. Segundo o historiador Hilário Franco Júnior, a pessoa doente falecia em até três dias depois de contraí-la. Já o historiador Jacques Le Goff fala que muitas das pessoas que demonstravam os sintomas da peste faleciam dentro de 24 horas após manifestar os primeiros sinais.

Como era a vida das pessoas durante a peste negra?

A difusão da peste negra resultou na morte de milhares de pessoas. A doença espalhou-se por cidades e pelo campo, embora tivesse ação mais mortal nos grandes centros urbanos.

Locais inteiros foram devastados, e o caos disseminou-se. Algumas regiões da Europa começaram a perseguir os doentes, isolando os que adoeciam para deixá-los morrer. Em alguns casos, os doentes eram executados.

O escritor italiano Giovanni Boccaccio presenciou a peste negra com seus próprios olhos e deixou relatos a respeito do que viu. Ele falou dos sintomas, do alto grau de contágio da doença, mas também abordou o desmoronamento da ordem com a disseminação da peste, pois muitas das autoridades foram contaminadas e, eventualmente, faleciam.

O relato de Boccaccio concentra-se no que ele presenciou em Florença, cidade italiana.

Boccaccio também falou das diferentes reações que as pessoas tiveram no período de crise da doença. Ele relata que muitos procuraram o isolamento, evitando manter qualquer tipo de contato com pessoas, sobretudo os que estavam doentes. Aqueles que eram mais ricos e possuíam propriedades de campo, fugiram das cidades e foram abrigar-se nesses locais afastados.

Com o tempo, os médicos perceberam que o contato com os doentes e com os corpos dos mortos não deveria acontecer. Com isso, os doentes eram isolados e o contato com eles era limitado àqueles que realizavam o tratamento médico. Padres também mantinham contato com os acometidos, principalmente porque realizavam os ritos religiosos relacionados com o perdão dos pecados e o funeral.

Essa percepção de que o contato com os doentes contribuía para disseminar a doença fez com que as famílias parassem de se reunir à beira daqueles que estavam doentes. Reuniões de funerais também acabaram deixando de acontecer, e os que tratavam dos doentes passaram a utilizar roupas específicas, feitas de couro, para impedir que as secreções dos doentes penetrassem no tecido.

Os médicos passaram a utilizar uma máscara em forma de bico de pássaro, que era preenchido com ervas aromáticas. Acreditava-se que essas roupas evitavam a contaminação.

Os padres foram um dos grupos que mais sofreram, pois tinham contato direto com os doentes e com os corpos dos que faleciam. Como muitos dos padres viviam em mosteiros, locais que havia uma grande aglomeração de religiosos – muitos em idade avançada –, quando um padre contraía a doença, ela era rapidamente transmitida para outros.

A historiadora Tamara Quírico trouxe um relato de um cenóbio (residência de monges), em Florença, onde cerca de ¾ dos religiosos que habitavam lá faleceram em decorrência da peste. Isso afetava os rituais funerários praticados, uma vez que não havia sacerdotes para atender a quantidade de mortos.

Além de não haver sacerdotes suficientes, não existiam coveiros, e os sepultamentos começaram a ser realizados em massa, isto é, em valas comuns, tamanha a quantidade de pessoas que morriam. Todavia, com a percepção de que os cadáveres também eram vetores de contaminação, muitos passaram a abandonar as práticas de sepultamento e começaram a incendiar os corpos dos falecidos. Até as roupas utilizadas pelos doentes e outros itens começaram a ser queimados.

Como já mencionado, muitas autoridades começaram a impor certo isolamento para evitar a propagação da doença. O cirurgião Guy de Chauliac, de Avignon, na França, falava que pais não podiam visitar seus filhos e vice-versa em razão do alto risco de contágio. Boccaccio relatou também que algumas obras para melhorar a limpeza e condições de higiene da cidade e a proibição da entrada de doentes também ocorreram em Florença.

Sintomas da peste negra:

O médico Drauzio Varella afirma que a peste negra pode causar febre de 41° graus, além de vômitos com a presença de sangue e complicações no pulmão. Para os que tinham problemas pulmonares, a morte era praticamente garantida.

Boccaccio também deixou alguns relatos a respeito de como a doença se manifestava nas pessoas. Ele diz que a peste começava:

"Com o surgimento de certas tumefações na virilha ou nas axilas de homens e mulheres, algumas das quais atingiam o tamanho de uma maçã comum e outras o de um ovo, umas mais e outras menos, e a elas o povo dava o nome de bubões. E os referidos bubões mortíferos, não se limitando às duas citadas partes do corpo, em breve espaço de tempo começaram a nascer e a surgir indiferentemente em todas as outras partes, após o que a qualidade da enfermidade começou a mudar, passando a manchas negras ou lívidas, que em muitos surgiam nos braços, nas coxas e em qualquer outra parte do corpo, umas grandes e ralas, outras diminutas e espessas. E, tal como ocorrera e ainda ocorria com o bubão, tais manchas eram indício inegável de morte próxima para todos aqueles em quem aparecessem".

Por meio desse relato, podemos perceber que as regiões inchadas do corpo por causa da doença eram chamadas de bubões, por isso peste bubônica. A expressão peste negra, por sua vez, faz referência às manchas pretas que apareciam no corpo das vítimas que contraíam a doença.

Consequências:

O primeiro e o maior surto de peste negra ocorreu entre 1348 e 1350, mas outros surtos aconteceram ao longo de todo o século XIV. A peste foi uma doença que esteve presente na vida dos europeus até 1720, quando o último surto foi registrado em Marselha, na França.

A atuação da doença na Europa ao longo do século XIV contribuiu para uma redução populacional drástica.

As estimativas tradicionais falam que a enfermidade foi responsável pela redução de 1/3 da população do continente europeu, mas alguns historiadores, como Jacques Le Goff, têm trazido novos dados, demonstrando que a quantidade de mortos possa ter sido maior que isso. Le Goff fala que entre metade e 2/3 da população europeia possa ter morrido por causa da doença e, em alguns locais, como a Inglaterra, ele sugere que a mortalidade esteve na casa dos 70%.

Fonte de Informação: Brasilescola/ Daniel Neves Silva/Professor de História

Ebola: Os vírus, as doenças virais e suas formas de imunização são grandes desafios da ciência mundial, dengue e AIDS são dois exemplos dentre outros tantos. Entretanto, nenhuma outra doença viral atingiu proporções de letalidade como o surto do vírus Ebola, na África.

A doença foi “descoberta” no Zaire (atual república democrática do Congo), em 1976, e os sintomas impressionavam tanto quanto a velocidade com que os infectados morriam. Estima-se que a letalidade do vírus do Ebola durante surtos epidêmicos atinja os 90%, ou seja, a cada 10 pessoas infectadas, 9 morrem.

Várias epidemias de febre hemorrágica produzida pelo Ebola são conhecidas: em 1976, duas epidemias, no Zaire e no Oeste do Sudão, provocaram cerca de 340 mortes. Houve uma terceira epidemia em 1979, no Sudão, e uma quarta, em 1996, no Zaire; ambas com menor quantidade de mortos. A última epidemia matou 224 pessoas em Uganda, entre outubro de 2000 e março de 2001.

Assim como todos os vírus, o do Ebola infecta células sadias do organismo, desencadeando um rápido e sequencial processo de sucessivas multiplicações e infecções de novas células. Desta forma, podemos entender que o tempo de incubação da doença varia de 02 a 20 dias, dependendo, entre outros fatores, do próprio sistema imunológico da pessoa que está infectada.

A forma de contrair a doença é muito simples, basta o contato com uma pessoa já infectada, viva ou morta, e como em alguns países africanos existe a tradição de se lavar os familiares falecidos, a doença se disseminou muito rápido. Após o contágio e período de incubação, os sintomas começam a aparecer, sendo que os mais comuns são: edemas, febre alta, vômito, dor de cabeça e insuficiência hepática e renal.

A deformação do colágeno responsável pela união dos órgãos, o elevado estágio de debilidade do paciente e as sucessivas hemorragias espalhadas por todo o organismo causam a morte do paciente infectado em pouquíssimo tempo; esse quadro é uma das principais características da febre hemorrágica conhecida como Ebola.

Infelizmente, uma vez contraída a doença, o tratamento se concentra basicamente em se tratar dos sintomas e, como já vimos, até 90% dos infectados podem morrer.

Vários filmes já tentaram traduzir os perigos desse tipo de doença, rápida e letal, como o filme Epidemia (Warner Bros), de 1995, com Justin Hoffman, Morgan Freeman e Cuba Gooding Jr., Nessa história o vírus adquire a capacidade de infectar pelo ar. Vale a pena assistir e saber mais.

Fonte de Informação: Brasilescola/Fabrício Alves Ferreira/Graduado em Biologia